Desembarco Paraguay

Guia técnico

Logística internacional e comércio exterior: o guia técnico que você precisa antes de importar ou exportar

Incoterms, contêineres, pallets, caminhões e como calcular o volume da sua carga: tudo o que é preciso entender antes de movimentar mercadoria entre países, explicado em linguagem simples para quem está começando.

Atualizado: julho de 2026 · Pela equipe Desembarco Paraguay · Leitura: ~14 min

11
Incoterms vigentes segundo a revisão 2020 da ICC
33,2 m³
capacidade de um contêiner padrão de 20 pés
67,6 m³
capacidade de um contêiner padrão de 40 pés
O que são os Incoterms: um conjunto de 11 regras publicadas pela Câmara de Comércio Internacional (ICC) que definem, em toda compra e venda internacional, quem contrata e paga o transporte, quem contrata o seguro e em que ponto exato se transfere o risco do vendedor ao comprador. A versão vigente é a Incoterms® 2020, e continuará sendo a oficial até a próxima revisão da ICC, esperada apenas por volta de 2030.

Incoterms para qualquer meio de transporte

Este grupo de 7 termos pode ser usado com transporte marítimo, aéreo, terrestre ou multimodal. É o grupo recomendado pela ICC para a maioria das operações, exceto quando se trata de carga a granel exclusivamente marítima.

IncotermSignificadoTransferência de riscoQuem paga o transporte principal
EXWNa fábrica (Ex Works)No domicílio do vendedor, mercadoria sem carregarComprador — desde a porta do vendedor
FCAFranco transportador (Free Carrier)Ao entregar a mercadoria ao transportador designado pelo compradorComprador
CPTTransporte pago até (Carriage Paid To)Ao entregar ao primeiro transportadorVendedor — até o destino combinado
CIPTransporte e seguro pagos até (Carriage and Insurance Paid To)Ao entregar ao primeiro transportadorVendedor, incluindo seguro com cobertura ampla (Cláusula A)
DAPEntregue no local (Delivered at Place)No local de destino combinado, sem descarregarVendedor — até o destino, sem incluir descarga
DPUEntregue no local descarregado (Delivered at Place Unloaded)No destino, já descarregadaVendedor — único Incoterm em que o vendedor descarrega
DDPEntregue com direitos pagos (Delivered Duty Paid)No destino, com todos os trâmites e tarifas pagosVendedor — assume até as tarifas de importação

EXW e DDP são os dois extremos: no EXW o vendedor faz o mínimo possível (o comprador organiza tudo desde a fábrica), e no DDP o vendedor faz o máximo (entrega porta a porta com impostos de importação pagos). A maioria das operações reais se situa em um ponto intermediário.

Incoterms somente para transporte marítimo e vias navegáveis

Estes 4 termos são usados exclusivamente quando a mercadoria viaja por mar ou por uma via navegável interior, e o ponto de entrega é um porto. Não correspondem a carga em contêiner entregue em um terminal, onde o tecnicamente correto é usar FCA em vez de FOB.

IncotermSignificadoTransferência de riscoQuem paga o transporte principal
FASFranco ao costado do navio (Free Alongside Ship)Ao colocar a mercadoria junto ao navio no porto de embarqueComprador — desde o costado do navio
FOBFranco a bordo (Free on Board)Ao carregar a mercadoria a bordo do navioComprador — desde que a mercadoria está a bordo
CFRCusto e frete (Cost and Freight)Ao carregar a bordo do navio (igual ao FOB)Vendedor — paga o frete até o destino, mas o risco já passou
CIFCusto, seguro e frete (Cost, Insurance and Freight)Ao carregar a bordo do navioVendedor — frete e seguro mínimo (Cláusula C) até o destino

Uma nuance frequente: no CFR e no CIF, o vendedor paga o frete até o porto de destino, mas o risco se transfere bem antes — quando a carga sobe ao navio na origem. Se a mercadoria se danificar em trânsito marítimo, a reclamação é do comprador, não do vendedor.

Como escolher o Incoterm correto para sua operação

De qualquer forma, a escolha do Incoterm afeta diretamente a base tributável sobre a qual se calculam as tarifas de importação (por isso no Paraguai o valor CIF é a base habitual), então convém decidi-lo junto com quem gerencia o despacho aduaneiro, não de forma isolada com o fornecedor.

Tipos de contêineres marítimos e sua capacidade real

A maior parte da carga geral se move em dois tamanhos padrão (20 e 40 pés), com variantes conforme o tipo de mercadoria. Estas são as medidas e capacidades de referência da indústria — podem variar levemente conforme o fabricante do contêiner.

TipoMedidas internas (aprox.)CapacidadePeso máximo de carga (aprox.)Uso típico
20' Padrão (Dry Van)5,89 × 2,35 × 2,39 m33,2 m³21.700 kgCarga geral, mercadoria densa/pesada
40' Padrão (Dry Van)12,03 × 2,35 × 2,39 m67,6 m³26.800 kgCarga geral volumosa, menos densa
40' High Cube12,03 × 2,35 × 2,70 m76,2 m³26.500 kgCarga volumosa e leve (móveis, têxteis)
Reefer (refrigerado) 20'/40'um pouco menor que o Dry Van equivalente28–60 m³ conforme o tamanhosimilar ao Dry VanPerecíveis, produtos que exigem cadeia de frio
Open Topsimilar ao Dry Van, sem teto rígidosimilar ao Dry Vansimilar ao Dry VanCarga estivada por cima com guindaste (maquinário alto)
Flat Rackplataforma sem paredes lateraisvariávelaté ~40.000 kg conforme o modeloCarga superdimensionada ou muito pesada (maquinário, tubos, veículos)

Na prática, raramente se chega a 100% da capacidade teórica: recomenda-se planejar entre 85% e 90% de aproveitamento para deixar margem de manobra, estiva e fixação da carga.

Quantos pallets cabem em cada contêiner? Usando pallets europeus (1,2 × 0,8 m), um contêiner de 20 pés comporta cerca de 11 pallets em uma única camada (até o dobro se estivados em dois níveis), e um de 40 pés entre 23 e 24 pallets em uma camada. Com pallets americanos/Mercosul (1,2 × 1,0 m), esses números caem para aproximadamente 10 e 20-21 pallets respectivamente, porque cada pallet ocupa mais superfície.

Como calcular os m³ (CBM) da sua carga

O cálculo é simples: multiplicam-se as três medidas de cada volume (em metros) e esse resultado é multiplicado pela quantidade de volumes iguais.

Fórmula: Comprimento (m) × Largura (m) × Altura (m) = m³ por unidade → m³ por unidade × quantidade de unidades = m³ totais da carga.

Exemplo prático: uma caixa de 0,50 m de comprimento × 0,40 m de largura × 0,30 m de altura mede 0,06 m³. Se o pedido são 200 caixas iguais, a carga total é 0,06 × 200 = 12 m³.

Esse número (o CBM, de "cubic meters") é o que os forwarders usam para cotar o frete em cargas LCL (consolidadas, que não enchem um contêiner completo), e serve para decidir se convém consolidar com outros importadores ou reservar diretamente um contêiner completo (FCL). Como regra geral, a partir de aproximadamente 15 m³ costuma começar a ser mais vantajoso cotar um contêiner de 20 pés completo em vez de carga consolidada, embora o ponto exato dependa das tarifas vigentes em cada corredor.

Cuidado com o "peso volumétrico": em transporte aéreo e em alguns trechos terrestres, o frete é cobrado pelo maior valor entre o peso real e o peso volumétrico (calculado a partir do volume). Convém pedir esse esclarecimento ao forwarder antes de fechar a cotação.

Tipos de pallets e por que o tamanho importa

Tipo de palletMedidasUso típico
Pallet europeu (EUR/EPAL)1,20 × 0,80 mPadrão na Europa; o mais eficiente para contêineres estreitos
Pallet americano / Mercosul1,20 × 1,00 mO mais usado na América do Sul, incluindo o Paraguai
Pallet GMA (americano padrão)1,22 × 1,02 m (48×40 polegadas)Padrão nos Estados Unidos
Meio pallet0,80 × 0,60 mCargas pequenas, farmacêutica, varejo

Além do tamanho, importa o material: os pallets de madeira que cruzam uma fronteira internacional devem cumprir a norma fitossanitária ISPM-15 (tratamento térmico ou fumigação com brometo de metila, certificado com o selo oficial estampado na madeira). Um pallet de madeira sem esse selo pode ser rejeitado ou retido na alfândega de destino. Os pallets plásticos não exigem esse trâmite, por isso muitos exportadores os preferem para evitar atrasos.

Tipos de caminhões para o transporte terrestre

Uma vez que a carga chega por navio ou avião, no Paraguai — país sem saída para o mar — o trecho final é quase sempre terrestre, tipicamente a partir de um porto da Argentina, do Brasil ou do Uruguai. Os tipos de unidades mais usadas nos corredores do Mercosul são:

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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre Incoterms 2010 e 2020?

A principal mudança foi substituir o DAT (Delivered at Terminal) pelo DPU (Delivered at Place Unloaded), que amplia o conceito para qualquer local, não só um terminal. Também se reforçou a cobertura de seguro mínima exigida no CIP (agora Cláusula A, cobertura ampla, antes Cláusula C) e se acrescentou a opção de o FCA incluir um conhecimento de embarque com anotação "a bordo" quando o pagamento é com carta de crédito.

Os Incoterms determinam quem paga as tarifas de importação?

Sim, na maioria dos casos. Em todos os Incoterms exceto o DDP, o comprador/importador é quem paga as tarifas e tributos de importação no país de destino. Só no DDP essa obrigação recai sobre o vendedor.

Qual Incoterm convém para começar a importar pela primeira vez?

O FCA costuma ser um bom ponto de partida: é claro, funciona com qualquer meio de transporte e dá controle sobre a logística internacional sem a complexidade operacional do EXW (onde é preciso organizar até a retirada na fábrica do fornecedor).

Os Incoterms são obrigatórios por lei?

Não. São um padrão privado da Câmara de Comércio Internacional (ICC) que as partes adotam voluntariamente no contrato de compra e venda. Uma vez pactuado, tem sim efeitos jurídicos vinculantes entre comprador e vendedor.

O que acontece se o contrato não mencionar nenhum Incoterm?

A operação fica regida pelas condições gerais que as partes tenham pactuado ou, na falta delas, pela legislação aplicável — que costuma ser menos clara e mais propensa a disputas sobre quem assume o risco em cada etapa. Por isso se recomenda sempre especificar o Incoterm e o local exato.

Quantos m³ minha carga precisa ter para justificar um contêiner completo?

Não há um número fixo, mas como referência geral, a partir de aproximadamente 15 m³ costuma começar a ser mais vantajoso reservar um contêiner de 20 pés completo (FCL) do que pagar carga consolidada (LCL), embora o ponto exato varie conforme as tarifas vigentes em cada corredor e a urgência do envio.

Os pallets de madeira têm algum requisito especial para exportar?

Sim. Todo pallet de madeira que cruza uma fronteira internacional deve cumprir a norma fitossanitária ISPM-15 (tratamento térmico ou fumigação, certificado com um selo oficial na madeira). Sem esse selo, a alfândega de destino pode reter ou rejeitar o envio. Os pallets plásticos evitam esse trâmite.

Este guia tem fins informativos gerais sobre as regras Incoterms® 2020 publicadas pela Câmara de Comércio Internacional (ICC), e sobre padrões habituais da indústria naval para contêineres e pallets, e não constitui assessoria jurídica, aduaneira ou logística. As capacidades de contêineres podem variar levemente conforme o fabricante e o armador. Cada operação de comércio exterior tem particularidades que convém validar com um despachante de aduana ou um forwarder antes de definir o Incoterm, o tipo de contêiner ou a modalidade de transporte a utilizar. Fontes consultadas: publicações da ICC sobre Incoterms® 2020 e padrões técnicos da indústria de contêineres marítimos ISO, revisadas em julho de 2026.

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